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out 01 2008

Labrunier compra BrasilUvas após negociação realizada pela Farm Hunters

Categoria: Artigos e Notícias

O agronegócio brasileiro ganha refinamento e novos negócios com uma modalidade de consultoria especializada em intermediar aquisições de grande porte com perfil desafiador. No centro das comercializações estão grupos estrangeiros e também nacioanis com o interesse em ampliar seus investimentos em produção agrícola no Brasil. Sob indicação da Brasilpar, a Farm Hunters intermediou a venda da BrasilUvas Ltda – controlada até então por um grupo inglês – para a agropecuária Labrunier, uma empresa brasileira com várias fazendas no país e ligada ao grupo JD. As negociações duraram sete meses e foram efetivadas após trabalho da Farm Hunters, empresa brasileira especializada em assessoria imobiliária rural, indicada pela Brasilpar, especializada em fusões e aquisições de grandes empresas.

A Farm Hunters elaborou o mapeamento dom potencial produtivo e da rentabilidade da BrasilUvas, a avaliação técnica da propriedade, radiografia da região do Vale do São Francisco e das condições climáticas e do solo locais. A fazenda de grande porte produtora de uvas de mesa sem caroço conta com 400 hectares, desses 150 com uva irrigada. Está localizada em Juazeiro/BA, a 40 quilômetros da área central do município.

A Farm Hunters selecionou os principais produtores e entrou em contato com os potenciais investidores estrageiros. O sócio-diretor da Farm Hunters, agrônomo Breno Carvalho Pereira, revela que o acerto do contrato entre a BrasilUvas e a Labrunier levou ainda rodadas de negociação. A comercialização aqueceu o setor e resultou na expansão da rede de fazendas da Labrunier, que já atuava na região do Vale do São Francisco, região valorizada após a irrigação de áreas (com desvio de água do rio) executada pela CODEVASF (Companhia de Desenvolvimento da Vale do São Francisco).

O potencial da BrasilUvas será fortalecido com novas variedades de uvas de mesa e os 300 postos de trabalho serão mantidos. A produção da BrasilUvas é de 35 toneladas por hectare. A receita média anual da fazenda esta projeta em R$ 7,5 milhões. Dos 150 hectares irrigados, 40 produziam uva Itália e 110 uvas Princess antes da venda da fazenda. Em 2006, 70% da produção foram destinadas à exportação. No ano passado, a produção voltou-se para o mercado interno, que ficou com 50% da produção.

A BrasilUvas Agrícola era controlada desde 1996 por um grupo inglêsque atua no Brasil com transporte de cargas e passageiros. Trata-se do grupo Sea Containers do Brasil, que pertence a Sea Containers Ltda. A BrasilUvas investe na área social com atendimento em saúde aos familiares dos funcionários. O grupo especializado em logística deixa a produção de uvas justamente por não ser o foco de sua atuação. Ao passo que o Grupo Labrunier aumenta sua escala de produção com a aquisição da BrasilUvas.

Farm Hunters: sob medida – A Farm Hunters informou que a BrasilUvas atraiu o interesse de outras empresas estrangeiras, entre elas, dois grupos portugueses. “Há negócios que precisam de trabalho sob medida. É isso que fazemos”, comenta Breno Pereira. A demanda por intermediação deste tipo é expressiva no agronegócio brasileiro. “É fundamental associar o rigor técnico, o contato com potencias investidores e o contrato certo”, observa Mauro Vanti Macedo, também sócio-diretor da Farm Hunters, sediada em Campinas. No mercado há quarto anos, a Farm Hunters avalia atualmente o interesse de norte-americanos em investir em etanol e madeira no Brasil, entre outras demandas.

Mapeamento – A avaliação técnica da Farm Hunters verificou a infra-estrutura da BrasilUvas, a infra-estrutura regional, o nível de tecnificação, as características do solo e clima, os aspectos da cultura de uvas, os recursos humanos, receitas e despensas, a legislação ambiental e as certificações, o mercado de uva, a produção e a produtividade da BrasilUvas.

Janelas de mercado – O clima no Vale do São Francisco é predominantemente seco. O levantamento da Farm Hunters apontou que a maior vantagem do clima local é a de permitir a produção de uvas em “janela de mercado”, ou seja, produzir quando os preços na Europa e nos Estados Unidos estão mais elevados devido à falta de produção dos concorrentes.

Tecnologia – O Grupo Labrunier é conhecido por suas fazendas com alto nível de tecnologia, negócios internacionais e projetos de responsabilidade social. No país, é o único produtor de uva orgânica em escala comercial. A safra anual, mais de 16 mil toneladas, é em grande parte exportada para países da América do Norte e Europa. A Agropecuária Labruiner está presente no Brasil há mais de 20 anos, onde desenvolve pecuária de corte e cultivo de uvas de mesa em sete fazendas nos estados do Mato Grosso, Bahia e Pernambuco.

FONTE: Jornal da Fruta

 
ago 28 2008

Grupo JD compra fazendas em MT e BA

Categoria: Artigos e Notícias

Um ano depois de seu desligamento do Carrefour, o Grupo JD, da família de Jacques Defforey, um dos fundadores da varejista francesa, está reforçando sua atuação no país. Nos últimos meses, o grupo comprou fazendas na Bahia e em Mato Grosso para ampliar suas atividades de plantio de uvas e pecuária e também selou sociedade com a Rio de Una, empresa que processa frutas e verduras orgânicas em São José dos Pinhais (PR).
Em Juazeiro (BA), no pólo de fruticultura do Vale do São Francisco, o JD acaba de fechar a compra da Brasiluvas, fazenda voltada à produção de uvas orgânicas, que pertencia ao grupo inglês Sea Containers. A propriedade tem 480 hectares, com 180 hectares de área plantada. O valor do negócio não foi divulgado.
A operação entre o JD e o grupo inglês foi intermediada pela Farm Hunters, consultoria imobiliária especializada no setor agrícola. A Farm Hunters, por sua vez, teve a assessoria da Brasilpar, que atua em fusões e aquisições, na negociação. Um dos sócios da Farm, Breno Pereira, afirma que a empresa faz negócios "sob medida" no setor agrícola, e que a demanda por esse tipo de transação é crescente. "O cliente nos diz qual seu objetivo e prospectamos para ele".
Com a aquisição da Brasiluvas, a área plantada de uvas do grupo cresceu para 920 hectares, e o número de propriedades dedicadas à atividade passou a quatro. As outras fazendas ficam em Casa Nova (BA), Petrolina e Lagoa Grande (PE). O grupo de fazendas, o único com produção de uvas orgânicas em escala comercial do país, é reunido sob o braço Labrunier.
" Vamos investir agora para substituir as variedades de uvas plantadas na Brasiluvas para atender a demanda. A variedade que está na fazenda, uma itália comum, não está mais entre as preferidas do mercado", diz Arnaldo Eijsink, diretor do Grupo JD.
As fazendas São Marcelo concentram as atividades de pecuária em Mato Grosso - no Estado, o grupo também dedica-se à suinocultura. A propriedade comprada no Mato Grosso é a quarta no Estado. Somadas, elas têm 50 mil cabeças de boi orgânico. O plantel total é de 100 mil cabeças, já que o grupo também tem fazendas arrendadas. Nessas, o gado não é orgânico.
Os novos investimentos do JD incluem também a participação na Rio de Una. A empresa paranaense, nascida em 1996, processa legumes e verduras orgânicos de produtores do Paraná e de Santa Catarina. "O negócio está totalmente em linha com a nossa política, que sempre foi voltada à sustentabilidade", diz Eijsink.
Como 70% da produção de uvas do JD tem o mercado externo como destino, outras oportunidades de negócios surgiram. "Clientes que compravam uvas pediam outras frutas", conta o diretor. No fim de junho, o JD arrendou em Itapetininga (SP) uma "packing house" de 25 mil metros quadrados de área total para fazer a triagem laranjas e tangerinas voltadas às exportações. A Bravis é o braço do grupo que concentra a atividade.
O Grupo JD, que faturou R$ 80 milhões em 2007 e trabalha para atingir R$ 100 milhões neste ano, reúne as fazendas que pertenciam ao Carrefour e compradas pelo próprio Jacques Defforey. Em 2007, após o falecimento do fundador da rede varejista, a viúva e os filhos tiveram a preferência para a aquisição das propriedades.

FONTE: Jornal Valor Econômico

 
jan 27 2008

Corrida às terra

Categoria: Artigos e Notícias

Enquanto os ministros do governo Lula divergem sobre as causas do desmatamento recorde na Amazônia, os preços da terra para plantio e pastagem sobem em todo o país.
Esta coluna apontou no dia 17 o prognóstico de um reconhecido especialista, o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues. Ele sacode o punho fechado no ar e dispara: “Pode escrever, em cinco anos, os preços da terra estarão pelo menos 100% mais altos.”
O estudo do Instituto FNP finalizado em dezembro mostra que o preço médio da terra no Brasil vai quebrando recordes desde que a pesquisa começou a ser feita, em 2001. Nos últimos 12 meses, a alta foi de 17,83%, com as cotações médias chegando a R$ 3,86 mil por hectare. São números que, neste ano, deverão ficar para trás.
A engenheira agrônoma e analista do Instituto FNP, Jacqueline Bierhals, aponta três fatores que puxam pela alta:

(1) Mercado rarefeito – O Brasil é um dos poucos países com áreas a serem exploradas: mais de 100 milhões de hectares. Esse potencial pode ser utilizado para absorver parte da expansão, prevista para este e para os próximos anos.

(2) Preço baixo – Comparado com os padrões vigentes em outros países com forte potencial agrícola, o preço da terra ainda é baixo no Brasil.

(3) Crescimento da procura – A crise global que grassa no setor financeiro deve empurrar os administradores internacionais de patrimônio para ativos cujos preços enfrentem menos volatilidade. E aí o mercado de terras se mostra como boa opção.

Não há metodologia 100% segura para aferir o comportamento desse mercado. Para suprir a deficiência, o Instituto FNP conta com uma equipe de 300 informantes que detecta os principais negócios no país. E o que ela comprovou foi o fato de que grupos estrangeiros de vários calibres estão fechando compras de glebas em fronteiras agrícolas com alto potencial de valorização, especialmente em Mato Grosso, oeste baiano e trio Mapito (Maranhão, Piauí e Tocantins).
Preços baixos são grande chamariz. Enquanto o valor de um hectare na região sul girou em torno de R$29,2 mil no último bimestre, a mesma área na mata do Amapá saiu por apenas R$ 85.
Depois de um período de relativa estagnação que se seguiu ao recuo nos preços da soja em 2004, o mercado se aqueceu com a corrida ao plantio de cana-de-açúcar a partir de meados de 2006. No ano seguinte, quando se imaginava que o plantio algo exagerado de cana poderia derrubar os preços, foi a demanda por terras para grãos que passou a determinar os preços.
Os arrendamentos também estão em alta, na medida em que os preços das commodities agrícolas e os do boi gordo são tomados como critério de indexação dos contratos.
      Mesmo com a economia global ameaçada pelos maus resultados da economia americana, a aposta na terra continua forte, para desespero do presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart. Para ele, o aumento do interesse de grupos estrangeiros é uma ameaça para o avanço da reforma agrária no Brasil. Mas o MST não quer acampar no sertão. Quer ficar próximo às grandes cidades.

FONTE: O Estado de São Paulo